Arte... e quem define? É como querer explicar o que alguns chamam de Deus: grande bobagem. Não quero definir nada, só quero expressar minhas impressões.
Pra mim a Arte pulsa, o tempo todo. É tentativa concreta de manifestar o invisível. Me sustenta. Me salvou diversas vezes.
Vivenciando meu vazio, impossível não me lembrar de Drummond quando pensa a ausência. Arte é assim, semente que se manifesta em Obra e avança sobre solos férteis. Carlos fala de dois tipos de ausência, e obviamente não vou me lembrar das palavras que criaram as frases que AGORA são minha semente.
O divertido é observar a dualidade que uma mesma palavra carrega nessa semente:a ausência sem sentido e a ausência que move. Lembrando disso, penso o vazio que me preenche de tudo e nada, abrindo possibilidades infinitas que me embriagam. Mas, coexiste o vazio que me engole... aquele que me afasta de mim e me aproxima das expectativas alimentadas pelas carências e faltas que esta personalidade experimentou e não transformou. Esse vazio me faz pensar "Estou cheia! desse vazio".
Os paradoxos denunciam meus abismos. Preciso de abismos e, confesso, consigo amá-los depois que eles revelam minha imensidão.
Escrever é desvendar. Coisa enfadonha quando o que se quer é entender. Não quero entender nada. Aqui não procuro saídas, só busco consciência em cada passo. Isso pode ser chato pra você, mas pra mim é exercício diário. Clarice dizia que não escrevia pra mudar nada, se remetia ao fato como uma simples tentativa de desabrochar. Juro que cada átomo meu entende isso. Não quero convencer ninguém, nem ouso almejar mudanças com o que escrevo. Só escrevo. E, mais uma confissão: tenho a estranha certeza de que ao tentar desabrochar acontecem coisas mágicas, mas isso é assunto pra um novo texto.
E o coração (a quem pertencem os paradoxos)? Nada sei a respeito. Em uma intensa tentativa de exploração, só consegui ter a percepção de que nada tem a ver com a emoção. A gente adora confundir. Emoção é burra, sem a razão dá origem à expressão "meter os pés pelas mãos". Nó nada agradável. Coração não precisa de razão. É e ponto. No coração ponto final vira reticências sem medo do que está por vir. Por isso eu insisto em buscar meu coração, mesmo sabendo que ele vai escapar na hora da contração.
Arte é o coração que visita o artista de repente. Depois de muita técnica, muito estudo e prática. Renato avisou que disciplina é liberdade... consegues pensar liberdade maior que o coração proporciona?? Com ele razão e emoção ocupam o lugar justo, na medida. Logo, não conduzem a dança (isso sim é liberdade). Essa tal dança do meu mundo, que vira e mexe perde o passo. Vira e mexe é a ausência. Ausência disso que alguns chamam de coração.
Arte é tudo o que nos liberta de nós mesmos, é o coração no seu devido lugar guiando a brincadeira de AGORA aqui estar.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
E por falar em responsabilidade...
... tá, eu confesso. Sou amante das palavras. Encaro-as como uma entidade viva, que possui história e carrega mistérios.
Por isso, o que afinal é ser responsável? Peço tal atributo à um pequeno ser de 3 anos, que provavelmente vai receber essa cobrança por toda existência. Exagero? Nós dois sabemos que não.
De repente, me lembro de uma das trocentas anotações da minha adorável adolescência - um brinde às ironias - e eis que meus neurônios realizam conexões que dariam inveja aos contorcionistar do circo de soleil! Ser responsável nada mais é do que RESPONDER à Vida, e aos contextos esdrúxulos que ela nos coloca, com os nossos talentos e potenciais. Ah! Se você me disser que isso é fácil montarei um altar e farei orações diárias em teu nome.
Sim, eu adoro exageros. Eles permitem movimento fluído porque abrem espaço! Espaço! Faço questão de escrever sobre isso, mas vai ser no blog sobre acupuntura - o mental concreto pede classificação por adequação. Voltando: ser responsável é um EXERCÍCIO. Ai, as palavras...
Vamos lá: penso que não é possível afirmar: "tenho ou não tenho fé"; "tenho ou não tenho amor-próprio"; "tenho ou não tenho responsabilidade". Tudo é uma questão de EXERCÍCIO! Você exercita algum desses atributos? Afinal, a subjetividade pemite o auto-engano. É mais fácil acreditar que você não tem e ponto. Oh! Como eu sofro! Lembre-se: tudo isto nada mais é do que uma conversa de uma parte de mim com outra parte de mim.
E por falar em exercício: eles precisam ser ELABORADOS. Como qualquer outra coisa que você escolhe gastar tua preciosa energia. Se você quer ganhar massa muscular no bíceps procura quem possa te direcionar - afinal exercitar o glúteo não é teu objetivo. E outra, precisa confiar no processo. Ficar horas malhando, causando micro-lesões na musculatura, exercitar disciplina e constância no processo ACHANDO que TALVEZ o bíceps cresça não rola! Se não precisar de ajuda, vai pelo menos gastar tua energia pra descobrir quais exercícios trabalham o bíceps.
Enfim, analogia boba pra nos alertar. Ter ou não ter é questão de escolha. O que você tem exercitado nos últimos tempos??
Por isso, o que afinal é ser responsável? Peço tal atributo à um pequeno ser de 3 anos, que provavelmente vai receber essa cobrança por toda existência. Exagero? Nós dois sabemos que não.
De repente, me lembro de uma das trocentas anotações da minha adorável adolescência - um brinde às ironias - e eis que meus neurônios realizam conexões que dariam inveja aos contorcionistar do circo de soleil! Ser responsável nada mais é do que RESPONDER à Vida, e aos contextos esdrúxulos que ela nos coloca, com os nossos talentos e potenciais. Ah! Se você me disser que isso é fácil montarei um altar e farei orações diárias em teu nome.
Sim, eu adoro exageros. Eles permitem movimento fluído porque abrem espaço! Espaço! Faço questão de escrever sobre isso, mas vai ser no blog sobre acupuntura - o mental concreto pede classificação por adequação. Voltando: ser responsável é um EXERCÍCIO. Ai, as palavras...
Vamos lá: penso que não é possível afirmar: "tenho ou não tenho fé"; "tenho ou não tenho amor-próprio"; "tenho ou não tenho responsabilidade". Tudo é uma questão de EXERCÍCIO! Você exercita algum desses atributos? Afinal, a subjetividade pemite o auto-engano. É mais fácil acreditar que você não tem e ponto. Oh! Como eu sofro! Lembre-se: tudo isto nada mais é do que uma conversa de uma parte de mim com outra parte de mim.
E por falar em exercício: eles precisam ser ELABORADOS. Como qualquer outra coisa que você escolhe gastar tua preciosa energia. Se você quer ganhar massa muscular no bíceps procura quem possa te direcionar - afinal exercitar o glúteo não é teu objetivo. E outra, precisa confiar no processo. Ficar horas malhando, causando micro-lesões na musculatura, exercitar disciplina e constância no processo ACHANDO que TALVEZ o bíceps cresça não rola! Se não precisar de ajuda, vai pelo menos gastar tua energia pra descobrir quais exercícios trabalham o bíceps.
Enfim, analogia boba pra nos alertar. Ter ou não ter é questão de escolha. O que você tem exercitado nos últimos tempos??
Os mistérios
Percebi que carrego os mistérios do mundo. Carrego meu mundo. Ele nada mais é do que a extensão das coisas que alimento. Hummm... isso não é agradável no primeiro momento. Nem no segundo ou terceiro. Talvez, lá pelas tantas, isso se tranforme naquilo que me transforma. O que basta.
Ah! Não basta. O plágio se torna necessário, pois penso "nem que eu bebesse o mar, encheria o que eu tenho de fundo"!
Aprendi a habitar o fundo e o alto ao mesmo tempo. Pelo menos acho que aprendi - não duvido que eu precise abandonar mais essa certeza logo logo. O que não importa. Entrega (vulgo: fé) nada mais é que o improviso. Algo semelhante a ter uma Alma clown, que permite a satisfação diante de qualquer resultado que a Vida ofereça.
Pode ser mera elocubração mental, mas a paz que me acompanha permite o livre fluxo de tal idéia- que pode morrer e renascer mais viva do que antes.
Me fazer companhia é divertido. Levou tempo, mas... ah! tudo toma meu tempo hoje em dia mesmo. Que eu direcione pelo menos pra aquilo que vale a pena compartilhar.
Entre enganos e desenganos as coisas acontecem. Eu só faço ficar atenta. Tá, nem sempre eu consigo. Mas, aí é só mais um poço que eu visito - e eles sempre revelam alguma coisa produtiva. Mundo cor-de-rosa? Sei não. Mas percebi que sou plenamente responsável pela aquarela que escolho pintar meus dias.
Ah! Não basta. O plágio se torna necessário, pois penso "nem que eu bebesse o mar, encheria o que eu tenho de fundo"!
Aprendi a habitar o fundo e o alto ao mesmo tempo. Pelo menos acho que aprendi - não duvido que eu precise abandonar mais essa certeza logo logo. O que não importa. Entrega (vulgo: fé) nada mais é que o improviso. Algo semelhante a ter uma Alma clown, que permite a satisfação diante de qualquer resultado que a Vida ofereça.
Pode ser mera elocubração mental, mas a paz que me acompanha permite o livre fluxo de tal idéia- que pode morrer e renascer mais viva do que antes.
Me fazer companhia é divertido. Levou tempo, mas... ah! tudo toma meu tempo hoje em dia mesmo. Que eu direcione pelo menos pra aquilo que vale a pena compartilhar.
Entre enganos e desenganos as coisas acontecem. Eu só faço ficar atenta. Tá, nem sempre eu consigo. Mas, aí é só mais um poço que eu visito - e eles sempre revelam alguma coisa produtiva. Mundo cor-de-rosa? Sei não. Mas percebi que sou plenamente responsável pela aquarela que escolho pintar meus dias.
Quando o vazio chega
O fundo do poço é... fundo. Chegamos aí por distração e saímos por... ahn, deixa eu ver... falta de opção? Essa analogia para os momentos complicados da nossa existência de cada dia é, no mínimo, curiosa.
O fundo do poço é escuro, não existe visão clara. Nós temos muitos poços e muitos fundos, lembre-se disso. Nos falta enxergar diversas coisas, principalmente na nossa própria subjetividade - que rege nossa existência de maneira sutil e pouco perceptível. Por motivos humanos, e por isso mesmo engraçados, insistimos em colocar nossa atenção nas coisas que mais nos afastam de nós mesmos e assim ficamos no cheio - que é o vazio do vazio.
Nessas horas eu quero novos ares em círculos de luz repletos de possibilidades. O que isso quer dizer? Ah, vai saber! Mas, considerando a batida analogia, olhar pra cima talvez explicaria.
O fundo do poço é escuro, não existe visão clara. Nós temos muitos poços e muitos fundos, lembre-se disso. Nos falta enxergar diversas coisas, principalmente na nossa própria subjetividade - que rege nossa existência de maneira sutil e pouco perceptível. Por motivos humanos, e por isso mesmo engraçados, insistimos em colocar nossa atenção nas coisas que mais nos afastam de nós mesmos e assim ficamos no cheio - que é o vazio do vazio.
Nessas horas eu quero novos ares em círculos de luz repletos de possibilidades. O que isso quer dizer? Ah, vai saber! Mas, considerando a batida analogia, olhar pra cima talvez explicaria.
O motivo
Motivo. Palavra interessante. O que move tuas ações - tua motivação? O que te movimenta?
É preciso chegar no fundo do poço pra entender que dali pra baixo você não vai encontrar nenhuma - nenhuma! - novidade.
Acho que é assim em cada poço que a gente visita, porque chega um determinado momento que você pensa estar fazendo coisas diferentes, mas o pano de fundo dos teus movimentos não muda. Aquele hábito pentelho que você não consegue abandonar, aquela atitude que não sai diferente mesmo você sabendo que tem pouco ou nada pra te acrescentar. Enfim, nossos vícios - seja no pensar, no falar, no sentir ou no agir. Ciclo só é bom quando não é vicioso. A Roda da Vida gira, mas tem que ser em espiral - senão você fica tonto e não sai do lugar.
Estagnação é o fundo do poço. Fluidez é o meu motivo.
É preciso chegar no fundo do poço pra entender que dali pra baixo você não vai encontrar nenhuma - nenhuma! - novidade.
Acho que é assim em cada poço que a gente visita, porque chega um determinado momento que você pensa estar fazendo coisas diferentes, mas o pano de fundo dos teus movimentos não muda. Aquele hábito pentelho que você não consegue abandonar, aquela atitude que não sai diferente mesmo você sabendo que tem pouco ou nada pra te acrescentar. Enfim, nossos vícios - seja no pensar, no falar, no sentir ou no agir. Ciclo só é bom quando não é vicioso. A Roda da Vida gira, mas tem que ser em espiral - senão você fica tonto e não sai do lugar.
Estagnação é o fundo do poço. Fluidez é o meu motivo.
Pra quem é este blog?
Ah! Pra quem duvida de si mesmo ao mesmo tempo que nutre uma auto-confiança inabálavel. Quem procura um caminho desses certamente se perde dentro da própria imensidão, porque "mergulho com tudo pra dentro de si" é tão incrível que vira música - que a Zizi fez o favor de regravar - mas tb provoca falta de ar em alguns momentos. Resumindo, é pra quem tem 15, 25, 35 e daí até 205 anos. Porque vazio é vazio. Não tem idade.
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